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Altum silentium.

Seja o que você estiver procurando eu pouparei seu tempo ao dizer que não está aqui. Nesse espaço onde uma persona é retratada não há o menor resquício de verdade. O amor não está aqui - como também não estão a felicidade, paz ou sabedoria. O que há aqui é uma espécie de híbrido de um estupro entre inconsciente coletivo, arquétipo, alteridade e vontade de potência (onde não se pode dizer quem comeu e quem engravidou) muito bem maquiado e vendido como ‘elite culta’ por palavrinhas vazias que somente uma virgem estúpida compraria. Você é uma virgem estúpida? Ora, somos todos os filhos do Pecado Original - não há virgens entre nós!

Não ligue. É só cinismo de minha parte. Tudo isso - o sarcasmo e o requinte na hora de usar palavras refinadas para dizer atrocidades - é uma ferramenta na Grande Obra que não quer construir nada. Diria até que é um mecanismo de defesa mas isso me deixaria indefeso - espero sua compreensão nesse ponto de dualidades e bipolaridade (com toda a ironia que cabe na frase, com toda a ignorância que cabe na minha existência) possíveis. A incoerência pode parecer até proposital mas não é - é a demonstração clara de minha incapacidade de escrever qualquer coisa que qualquer idiota possa julgar ‘tragável’. 

Estava falando de procuras, achados e perdidos certo? Pois bem, meu bom José (ou Maria), não vamos encontrar nada aqui. Quando digo ‘nós’ não me igualo a você e não te elevo até mim, é apenas uma quebra em qualquer possível formalidade que possa vir a existir entre o interlocutor da mediocridade e o receptor da ignorância. E por ‘aqui’ compreenda-se que englobo toda a vida e não esse domínio digital. Sim, estamos amaldiçoados à constante busca sem resultados perenes - uma gozadinha quando se masturba é possível, nunca um orgasmo - e convincentes. Não para os outros - falo claramente da nossa insatisfação pessoal e com nossas guerras mal sucedidas contra nós mesmos (não entendo as batalhas pessoais - você sempre irá perder de um jeito ou de outro). O outro não existe aqui, é permitido enfim o pensamento solipsista ao niilista recém convicto. 

Seja o que quer que você procure, não vendo aqui.

 

Não vendo sua satisfação pessoal e muito menos palavras que vão te acrescentar algo. Não vendo amor ou felicidade e muito menos promessas do que quer que seja. Não vendo meu corpo por um preço injusto e nem minhas emoções por moedas de prata (Óh alma, não cunhes moedas com o ouro das palavras!). Não vendo um guia para o arrependimento ou um manual para a superação, não vendo livros sobre a mudança e muito menos cordéis de transformação. Não vendo ópio do bom - não vendo sonhos ou aspirações metafísicas.

Vendo apenas aquilo que consumo. Dou e mostro apenas o que conheço. E na minha busca, que é só minha e de tantos outros, te digo que não encontrará nada aqui. Essa busca, que é só sua e de tantos outros, não vai terminar ao terminar de ler (onde quer que você tenha parado) e muito menos depois de dizer ‘que idiota!’.

A busca nunca termina. Mas, como eu disse antes, você não encontrará nada aqui.

Que tolos. Nós.

Você, que leu (ou fingiu ler) e eu que escrevi (ou fingi escrever).